Toda previsão de ônibus começa com uma pergunta simples: de quando é a posição que estou vendo? No NoPonto processamos continuamente o GPS das frotas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, e este post explica — com a experiência de quem opera esses dados todos os dias — com que frequência cada cidade atualiza, por que o sinal atrasa e como ler o frescor do dado a seu favor.

O caminho do sinal: do ônibus até a sua tela

Entre o GPS no teto do ônibus e a previsão no seu celular existe uma cadeia: o veículo transmite a posição para a operadora → a operadora processa e publica → serviços como o NoPonto leem, cruzam com as paradas e calculam. Cada elo adiciona segundos (às vezes minutos). "Tempo real", na prática, significa "com poucos segundos a poucos minutos de idade" — e a diferença entre uma coisa e outra muda sua decisão no ponto.

Como cada cidade publica o dado

São Paulo — Olho Vivo (SPTrans). A mais completa das três: além da posição da frota, a API pública entrega previsão oficial de chegada por parada. É por isso que em SP mostramos os minutos da própria SPTrans, junto com a posição e o frescor do GPS de cada carro.

Rio de Janeiro — dados abertos da SMTR. A Prefeitura publica um feed aberto com a posição de cada veículo do sistema SPPO e o horário exato de captura de cada sinal — mas sem previsão oficial. Numa janela de poucos minutos, o feed do Rio entrega a frota inteira em circulação: milhares de posições. Os detalhes estão em GPS dos ônibus do Rio.

Belo Horizonte — GTFS-RT da Prefeitura. BH publica as posições da frota no padrão internacional GTFS-Realtime. Um detalhe que descobrimos operando o dado: o feed de BH publica posições, mas não horários de chegada utilizáveis — quem mostra minutos em BH está estimando, saiba ou não.

Nas três cidades, o NoPonto reprocessa o feed a cada minuto, e cada previsão exibida informa a idade do sinal daquele veículo específico.

Rio e BH: por que o tempo vem com asterisco

Sem previsão oficial, o jeito honesto de mostrar "quanto falta" no Rio e em BH é calcular sobre a distância real do veículo até o ponto, com uma velocidade média urbana — e dizer que é estimativa. No NoPonto esses tempos aparecem com asterisco e a distância sempre junto. A alternativa — exibir minutos confiantes sem fonte — é como o dado vira mentira; escrevemos sobre isso em por que a previsão do ônibus erra.

Como usar o frescor do dado a seu favor

  1. Sinal de segundos atrás: confie na distância e na tendência. É o melhor dado disponível.
  2. Sinal de 2-5 minutos: o ônibus provavelmente andou desde então — se a distância era curta, ele pode estar chegando (ou já ter passado). Reconsulte.
  3. Sinal muito velho ou ausente: túnel, garagem ou falha de transmissão. Não significa que a linha parou; significa que ninguém sabe onde aquele carro está. Desconfie de qualquer serviço que preencha esse vazio com um número.

É essa leitura que o NoPonto tenta fazer por você: em vez de um minuto seco, mostramos distância real, idade do sinal e — quando o dado é estimado — o asterisco que confessa. Teste no seu ponto em usenoponto.com, sem app e sem anúncio.